Matriz Serigráfica: Parte 02 – Tecidos Serigráficos

Agora que já aprendemos sobre os quadros serigráficos, estamos prontos para adquirir os conhecimentos relacionados aos Tecidos Serigráficos.

Esse assunto merece uma atenção especial, pois a qualidade, característica e preparo do tecido estão diretamente relacionadas ao processo de impressão desejado. Antes de darmos início aos detalhes que envolvem a escolha correta do tecido, vamos entender quais são os tipos, descrevendo suas principais características.

Obtenha a resposta neste post!

Tipos de materiais dos tecidos Serigráficos

Tecido de Organdi e Seda:

Nos primórdios da Serigrafia, era utilizado um tecido conhecido como Organdi. Era muito frágil para suportar grandes tensões e quantidade de impressões, sendo rapidamente substituído pela Seda Natural (o que deu origem ao nome da técnica em inglês “silk-screen”, tela de seda, conforme expliquei nesse post). Sua matéria prima é proveniente do casulo do bicho-da-seda.

O tecido de seda possui boa resistência a maioria dos solventes e possui boa estabilidade, facilitando o registro de impressões. Porém, no processo indireto fotográfico, ela possui fragilidade, rápido desgaste e “chupa” muita água, o que não é muito bom em ambientes muito úmidos. Este tipo de tecido já não está mais em uso na serigrafia atual, sendo substituído por outros mais eficientes.
 

Tecido de Nylon:

Esse tipo de tecido foi largamente utilizado antes do poliéster, inclusive ainda é utilizado por muitas pessoas até hoje. Ele possui uma resistência de 20 a 30 vezes superior a seda, ou seja, menos suscetível a ruptura e desgaste por tempo.

O nylon suporta bem o uso de diversos solventes (incluindo ácidos orgânicos) usados na serigrafia, além de não absorver muita umidade do ambiente. Apresenta maior extensibilidade que a seda, exigindo mais intensidade no esticamento.
 

Tecido de Poliéster:

Em 1941 surge o poliéster, sendo atualmente o tecido mais utilizado pelos serígrafos. Ele é um pouco menos resistente aos produtos químicos e ao desgaste, em relação ao nylon. Ainda assim, possui uma durabilidade muito boa. Sua tensão é muito parecida com a da seda e possui uma ótima estabilidade no quadro.
 

Tecido Metálico:

Os tecidos metálicos geralmente são compostos por aço inoxidável ou bronze fosforoso. É a tela que apresenta os melhores resultados possíveis na serigrafia: altíssima resistência, ótima estabilidade dimensional, resistência a maioria dos solventes e ácidos fracos, alta resistência ao calor e uma finura incrível. Em compensação, é o material mais caro, seu esticamento manual é inviável e possui certa vulnerabilidade aos impactos.

Exemplo de Tecido Metálico para Serigrafia
Exemplo de Tecido Metálico para Serigrafia
Imagem: alibaba.com

Esse tipo de material torna-se viável apenas em serigrafia de escala industrial (grandes tiragens), principalmente na utilização de tintas termofusíveis (muito utilizadas em vidros) e de circuitos impressos de placas eletrônicas, onde se demanda um nível de precisão absurdo.

Características dos tecidos Serigráficos

Quanto ao tipo de fio

Os fios dos tecidos são formados por tramas e urdiduras, que são entrecruzadas. As urdiduras são os conjuntos de fios verticais do tecido e as tramas são os horizontais.

Tramas e urdiduras no tecido.
Tramas e urdiduras no tecido.

Os principais tipos de fios são os de monofilamento e multifilamento. O primeiro é o melhor, pois garante uma deposição de tinta mais uniforme, além de garantir a mínima aderência de tinta ao tecido, durante a impressão.

Tecidos monofilamento e multifilamento.
A esquerda, monofilamento (mais qualidade de impressão). A direta, Multifilamento (menos definição de impressão).

Quanto ao ligamento dos fios, podemos encontrar no mercado os padrões de trama sarja ou tafetá. Entenda na visão lateral do tecido na figura abaixo:

padrões de ligamento dos fios tafetá e sarja
Padrões de ligamento dos fios Tafetá (em cima) e Sarja (em baixo).

O padrão tafetá é o mais indicado, pois cada fio da trama passa, alternadamente, por cima de um fio da urdidura e por baixo do próximo, proporcionando melhor qualidade de impressão.

 

Quanto a lineatura

Todos os tecidos de serigrafia são classificados de acordo com sua lineatura, ou seja, número de fios por centímetro quadrado. Os números são variados a depender do tipo do tecido escolhido.

No poliéster, por exemplo, os mais comuns nas lojas de serigrafia são 24, 36, 48, 61, 77, 90, 100, 120, 150 e 180 fios, mas existem várias numerações.

Imagens apliadas das variadas lineturas do tecido
Imagens ampliadas das variadas lineaturas do tecido.
Imagem: agabe.com

Quanto maior a quantidade de fios, mais próximos estarão uns dos outros, diminuindo a passagem de tinta, sem comprometer os detalhes finos (evita borrões). Em contrapartida, quanto menor o número de fios, maior a passagem de tinta, perdendo definição nos detalhes, porém, favorecendo artes com grandes áreas chapadas.

 

Quanto ao diâmentro do Fio

A espessura do fio influencia diretamente nas propriedades físicas do tecido (resistência mecânica) e no fluxo de tinta. Ou seja, quanto mais fino o diâmetro, maior a passagem de tinta.

Tecidos de mesma lineatura, porém diâmetro de fio diferente.
Tecidos de mesma lineatura, porém diâmetro de fio diferente.

As telas sintéticas tem seu diâmetro e fios classificados da seguinte forma:

  • S Bem fina;
  • M Ligeiramente fina;
  • T média;
  • HD grossa.

Quanto ao Tingimento

Além do padrão branco, existem também tecidos nas cores amarelo e laranja disponíveis no mercado. Esses últimos garantem a eliminação do efeito da difração de luz (desvio dos raios de luz para direções aleatórias – comum nos tecidos brancos), proporcionando assim uma melhor qualidade de imagem na impressão, diminuindo a possibilidade de pequenas falhas.

Exemplo de tecido branco e amarelo
Exemplo de tecido branco e amarelo (tingido).
Imagem: screenprinting.com

Os tecidos tingidos costumam ser mais caros e necessitam de um tempo de exposição de revelação maior que os brancos.

 

Mas afinal, qual tipo de tecido serigráfico devemos escolher?

Isso requer muita prática, pois é através dos testes que conseguiremos identificar as melhores soluções para cada projeto.

Confira algumas dicas importantes para ajudar na escolha do tecido e na impressão:

  • Um tecido de qualidade garantirá uma maior durabilidade da tela. Sempre que possível opte por tecidos de bons fabricantes;
  • Quanto maior a abertura entre os fios (menor lineatura), maior o consumo de tinta;
  • A viscosidade da tinta a ser utilizada pode influenciar no resultado da impressão.
    Cuidado com tintas muito fluídas em telas muito abertas (pode borrar a arte) ou tintas muito densas em telas muito fechadas (partes da arte podem não ser impressas);
  • Tecidos com os fios mais fechados garantem impressões de linhas e detalhes finos mais precisos. Recomenda-se telas de 60 fios ou mais;
  • Para desenhos com poucas linhas, traços finos e/ou grandes áreas abertas, pode-se utilizar telas de 25 a 55 fios;
  • Para detalhes ultra finos recomenda-se utilizar telas superiores a 90 fios/cm².

Exemplo prático: se você pintar uma área grande e chapada com uma tela muito fechada (120 fios, por exemplo) perceberá uma maior dificuldade na hora da impressão, devido ao espaço “apertado” entre os fios dessa numeração. Esse problema pode ser resolvido com uma tela “mais aberta”, como a 55 fios, por exemplo. Conseguiu entender a ideia?

Finalizando…

Agora sim, sabemos sobre os tipos de materiais e as características dos tecidos serigráficos.

No próximo post, vamos aprender a terceira parte para confeccionar uma matriz: o esticamento do tecido e a fixação no quadro. Assine nossa Newsletter para não perder nenhuma novidade. Até a próxima!

2 Comentários em “Matriz Serigráfica: Parte 02 – Tecidos Serigráficos

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